Marques' Almeida e V!tor abriram o último dia de desfiles, desta que foi a 40ª edição da ModaLisboa.
Esta colecção, que já havia sido apresentada na London Fashion Week, agrada-me. Apesar de não ser particularmente fã da estética de Marques' Almeida - baínhas descosidas, camadas de tecidos, looks inacabados - tenho vindo a apreciar o trabalho desenvolvido por esta dupla. Marta Marques e Paulo Almeida voltaram a inspirar-se nos anos 90 e no movimento grunge. Temos novamente a ganga como material principal, que, nesta colecção, foi conjugada com tecidos metalizados, seda e pêlo.
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Depois das coloridas e divertidas propostas de Verão, fiquei com uma grande expectativa para ver esta nova colecção de
V!TOR. Não desgostei por completo, mas também não amei. Inspirados pelo misticismo, Vítor e Luísa Cativo criaram uma colecção em torno de divindades - o
Grumpy Cat assume-se como um grande Deus, omipresente, atento a tudo e sem nunca largar aquela sua cara de "
I'm not amused". A colecção fez-se de tons mais escuro e neutros - preto, branco, azul, cinza e rosa velho. Relativamente a materiais, as malhas, a lã e os
jerseys ganharam protagonismo.
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Muito boa, esta colecção de Dino Alves. O designer já nos habitoou a desfiles memoráveis, e aquele que teve lugar no Domingo, no Terreiro do Paço, não foi excepção - antes mesmo de os manequins entrarem em cena com as criações de Outono/Inverno, um grupo de crianças desfilou pela passerelle, todas elas trazendo um livro na mão. Esta colecção, intitulada "Next Page", pretende contar uma história: a história de cada indivíduo, das suas atitudes e comportamentos. Gostei de tudo: da palete de cor neutra composta por preto, branco, beje, camel, azul pálido e bordeaux; do corte ora recto, ora fluído das peças; e da silhueta leve, longilínea e justa, cheia de plissados, pregas e algumas sobreposições de tecidos, criando o efeito de uma página sobre a outra. Também achei interessante e pertinente a inclusão de um estampado tipográfico.
Dino Alves mostrou que está pronto para virar a página - e eu, ansiosamente, aguardo pela sua próxima colecção.
Vocês sabem que eu nutro um especial carinho por White Tent. Para além de gostar genuinamente das criações de Pedro Noronha-Feio e Evgenia Tabakova, identifico-me muito com a estética minimal e com a máxima do "less is (always) more". Para a próxima temporada Outono/Inverno, a dupla apresentou uma colecção dentro dos padrões da marca: minimalista, com peças femininas que remetem para um estilo casual a pender para o sportswear. Em termos de materiais temos as malhas, o lurex e o crepe de seda.
Miguel Vieira, que comemorou nesta edição da ModaLisboa 25 anos de carreira, apresentou uma colecção de mulher, para a Mulher, com uma forte incidência nos metalizados e brilhos. O designer conseguiu, com sucesso, enaltecer as melhores qualidades da figura feminina, através de uma silhueta justa, ora curta, ora longa. Há aqui algumas peças realmente bonitas mas, no geral, esta colecção não conseguiu mexer comigo -
gostei, bem mais, das suas propostas invernais do ano passado.
"Burro". É assim que se chama a mais recente colecção de
Filipe Faísca, inspirada no burel. Esta deve o seu nome a uma palete de cores que o próprio designer descreve como sendo "cor de burro quando foge". Mas o que temos ao certo? Tons de
bordeaux, preto,
nude e verde ácido. Temos também peças
oversized de estrutura minimal e cortes rectos. Aqui a descontracção, vinda das tais peças XL, dos óculos de
ski e dos gorros largos, contrasta com a sensualidade das botas pretas e justas de cano alto.
O dia acabou com a apresentação da colecção "Icosaedro", de
Nuno Gama - podem vê-la
aqui.
photos: ModaLisboa official page
E foi isto. Acho que, no geral, foi uma óptima edição: gostei da grande maioria das colecções e também achei que a organização do evento esteve novamente à altura. Por agora acabou, mas em Outubro há mais!
Bye,
bye, ModaLisboa,
see you in a few months!